Esportes - Morte de Maradona reforça imagem de "mito", diz especialista no craque argentino

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A dor e comoção com a perda de Maradona parou uma nação, mas ultrapassou as fronteiras da Argentina. Em todo o mundo, e principalmente para os amantes do futebol, a morte do eterno craque da seleção albiceleste foi um choque. As homenagens que se seguiram foram à altura do legado deixado pelo “Pibe de oro”, o “Menino de ouro”, que encantou o mundo do futebol com seu talento. Um gênio nos gramados e, fora deles, um homem intenso, polêmico, admirado e atormentado pelos seus vícios. O coração de Diego Armando Maradona não suportou mais uma parada e na quarta-feira, 25 de novembro, o maior ídolo do futebol argentino perdeu a sua última batalha pela vida, aos 60 anos de idade. A notícia da morte do inigualável camisa 10 da seleção argentina se espalhou rapidamente. O velório na Casa Rosada, sede da presidência argentina, levou uma multidão às ruas, esperando por horas na fila para um último adeus ao ídolo. Nestor Charrampa foi com o filho de 12 anos prestar homenagem ao ídolo.“Se eu não viesse, sofreria por muito tempo. Precisava vir para me despedir. É triste, muito triste. Queria que Diego fosse eterno, para toda vida. A ficha ainda não cai, não cai”. A argentina Cecília Castro confessou, emocionada: “É uma mistura de sentimentos, feliz de ver essa homenagem popular, porque ele merece. Mas, por outro lado triste, não tenho mais lágrimas para chorar, não queria acreditar”. A multidão aglomerada, em plena crise sanitária por causa da pandemia da Covid-19, provocou confusão e a polícia precisou intervir. A família decidiu encurtar o velório previsto para três dias e Maradona foi enterrado na quinta-feira (26) em uma cerimônia íntima, reservada aos familiares, no cemitério Jardín de Bella Vista, na periferia de Buenos Aires, ao lado de seus pais. As imagens da forte emoção nas ruas, nos velórios, em cada rosto dos argentinos, permanecerá na memória como demonstração da admiração e do fervor do que o jogador representou não apenas para um país, mas para o esporte mais popular do planeta. Itália chora a morte do ídolo dos napolitanos As ruas de Nápoles também foram invadidas por torcedores que nunca esqueceram seu maior ídolo. Maradona jogou oito temporadas pelo Nápoli após uma breve e tumultuada passagem pelo Barcelona. Com o clube italiano, ele conquistou o Scudetto, o título de campeão italiano, por duas vezes em 1987, em 1990 e ainda a Copa da UEFA, em 1989, os únicos títulos da história do Nápoli. O torcedor Lino Romano, emocionado, resumiu o que representa Maradona para os napolitanos. “Essa notícia nos devastou. Isso destruiu algo em nosso coração e alma. A emoção que o Diego nos deu é indescritível. Ele é um parente próximo, um membro da família. Você não consegue explicar, se você não é napolitano, não consegue entender. Nápoles estava saindo de um terremoto, da Batalha da Camorra, estava passando por muitas dificuldades. Ele uniu o povo. Acredito que, além de dar nome ao estádio, será preciso retirar o camisa 10 de todos os times do mundo. Porque nenhum outro Diego Armando Maradona vai nascer”, disse. "Notícia triste perder amigos dessa maneira", declarou Pelé, através de sua assessoria. Ele acrescentou que com certeza um dia bateria uma bola com Maradona no céu. Em um vídeo divulgado pelo PSG, com homenagens de dois argentinos do clube, Angel Di María e Leandro Paredes, o brasileiro Neymar também aparece e faz referência à importância de Maradona para o futebol. “Desde quando eu me apaixonei por futebol, passei a conhecer todos os nomes dos jogadores mais importantes que existiam no futebol. A base sempre foi o Pelé e o Maradona. Ontem (quarta-feira) foi um dia muito triste para todos os amantes do futebol”, declarou para o canal de tevê do time parisiense. Mas foi com a camisa 10 da seleção argentina que ele alcançou a glória: campeão mundial de 1986 e protagonista de um jogo antológico, da vitória de 2 a 1 contra a Inglaterra, onde marcou dois gols. O primeiro, com a mão, que justificou como a mão de Deus….E o segundo, um dos mais belos lances em um gramado de futebol, drible em seis zagueiros e do goleiro inglês antes de colocar a bola no fundo das redes. A imagem com o troféu de campeão do mundo ficou imortalizada. Mas quatro nos depois, seria excluído do Mundial flagrado no exame antidoping. Maradona conheceu a glória nos campos de futebol, mas paralelamente afundava nos vícios. Sua dependência de cocaína abreviou sua carreira de jogador. Com o futebol não apenas na perna esquerda, mas nas veias, se tornou treinador, de clubes na Argentina, Emirados Árabes Unidos e México, além de dois anos no comando da seleção Argentina, que deixou após sucessivos fracassos. Mas seus excessos foram de campo e sua dependência química, de drogas e álcool o levaram ao abismo. Ele driblou várias vezes a morte, em diversas paradas cardíacas. Passou quatro anos de tratamento contra as drogas em Cuba, onde se aproximou de Fidel Castro. Tatou na pele as imagens dos símbolos da revolução Cubana, Fidel e Che Guevara. Politicamente, Maradona demonstrou sua defesa pelos líderes da esquerda latino-americana, como Hugo Chávez, Evo Morales e também o ex-presidente Lula. Maradona foi intenso nas seis décadas de vida. Inspirou muitos artistas, pintores, músicos. Foi tema de filmes e documentários, como o de Asif Kapadia apresentado no Festival de Cannes que contou sua trajetória dentro e fora de campo. Que lugar será reservado para Maradona nas páginas da história? Para Fernando Segura Trejo, sociólogo de esportes e estudioso da carreira de Maradona, não há dúvidas: “É um mito humano, com seus defeitos, virtudes, sorrisos e quedas, com essa capacidade para levantar-se e arrebentar-se. Certamente não é um diabo. Mas um deus para muitas pessoas. Acho que a melhor definição é a de um mito. Até pouco tempo, era um mito vivo, e agora que já está mais neste mundo, passa a ser um mito como conhecemos. E cada vez mais sua lenda vai crescer com o tempo, e todo o que fez em uma vida de 60 anos, eu definiria mais como um mito", ressalta. O especialista também faz referência à reverência que muitos fãs dedicam ao ídolo desde a fundação da Igreja Maradoniana, fundada em 30 de outubro de 1998 na cidade de Rosário para celebrar os feitos do craque e cultuar sua imagem. A data escolhida foi a do aniversário do ídolo e o templo tem espaço para culto além de orações e até uma lista de mandamentos em homenagem a Maradona. "Há certos elementos religiosos que se misturam. Existe a Igreja Maradoniana na cidade de Rosário, que se expandiu para o resto do país e mas que tem fiéis em outras partes do mundo. Mas vejo mais como um culto ao futebol e insisto na palavra mito”, afirma Trejo. Mito, lenda, Deus, seja qual for a definição de cada torcedor e admirador, o certo é que Diego Armando Maradona terá gravado para sempre seu nome na história do futebol e no coração de seus fãs e de toda uma nação.

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