Esportes - Caso Robinho eleva discussão de machismo no futebol, mas repercute pouco na Europa

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Os desdobramentos do caso do atacante Robinho, condenado por estupro na Itália, elevaram as discussões sobre o machismo no futebol nas duas últimas semanas. Após o jogador de 36 anos ter sido anunciado como reforço do Santos, voltou à tona o episódio ocorrido em janeiro de 2013, em uma boate de Milão, na Itália, quando ele atuava pelo Milan. Houve muita pressão, novas revelações, críticas ao clube, e o contrato dele acabou sendo suspenso no dia 16 de outubro. No Brasil, a repercussão do caso foi enorme, mas na Europa o barulho foi bem menor. Tiago Leme, de Paris, para a RFI Em novembro de 2017, Robinho foi condenado em primeira instância a nove anos de prisão pelo crime de violência sexual de grupo contra uma mulher de origem albanesa. Outros cinco amigos teriam participado do ato contra a jovem. A decisão do tribunal ainda não é definitiva, e o processo será analisado em segunda instância no próximo dia 10 de dezembro. A situação de Robinho se complicou nos últimos dias quando uma reportagem do Globoesporte.com mostrou trechos da sentença judicial, que continha gravações telefônicas grampeadas da conversa do jogador com amigos que estavam junto com ele naquela noite de 2013 na boate. Em uma das transcrições do áudio, Robinho diz: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”. Em conversa com a reportagem da RFI sobre o assunto, a jornalista Renata Mendonça, da Globo e do blog Dibradoras, que luta pelo espaço das mulheres na sociedade, falou sobre a postura do Santos nesta situação toda. Ela destacou que o contrato só foi suspenso depois que patrocinadores ameaçaram deixar a equipe, e o prejuízo financeiro poderia ser grande. “Eu acredito que o Santos conduziu muito mal essa história desde o início, desde que decidiu pela contratação, depois anunciou, depois como encarou as críticas, soltou aquela nota, depois só com a pressão dos patrocinadores recuou. Eu entendo que se o Robinho fosse acusado e condenado por qualquer outro crime, sei lá, roubo, porte drogas, o Santos estaria mais interessado em saber a situação do que estava com relação ao crime contra a mulher. E é simbólico, porque na nossa sociedade é assim, as pessoas têm uma certa tolerância com crimes contra a mulher, as pessoas subestimam, duvidam das vítimas, descredibilizam as palavras das mulheres o tempo inteiro”, afirmou. Atitude dos torcedores santistas A jornalista também lamentou a atitude de muitos torcedores santistas, que preferiram ficar do lado de Robinho e atacaram nas redes sociais as pessoas que questionaram o Santos sobre a contratação do jogador. Houve inclusive ameaças a alguns repórteres. “Inclusive a gente viu no caso do Robinho o que aconteceu quando houve uma repercussão sobre o caso, de que o Santos estava contratando um condenado por estrupro, a primeira reação de grande parte da torcida foi atacar jornalistas e torcedores que estavam questionando. Dizendo: ‘imagina, essa menina está querendo se aproveitar, não existe provas no caso, etc’. Colocando tudo em xeque, falando que a única palavra que merecia crédito era a do Robinho. E quando vieram as provas do processo utilizadas para condenar em primeira instância, as pessoas falaram: ‘nossa, olha só, tem prova’”. Os advogados de defesa de Robinho contestam as acusações e afirmam que o sexo com a garota foi consensual. Em um áudio vazado na última semana, o jogador rebate as críticas e até se compara ao presidente Jair Bolsonaro, em relação à abordagem das reportagens da TV Globo. “Deus está me preparando para algo muito maior. Porque é no deserto, é nesses ataques que você se aproxima de Deus, que você se prepara. A gente tem N exemplos aí, você viu o que eles fizeram com o Bolsonaro antes da eleição, os ataques que eles fizeram no cara. Falando que o Bolsonaro era isso, era aquilo, que era racista, era facista, era assassino. E quanto mais eles batiam no Bolsonaro, mais o Bolsonaro crescia. Então, estou em paz, de coração, não estou preocupado com eles, não. Porque o bem sempre vence e a verdade vai aparecer. Esses caras aí são pessoas usadas pelo demônio, a gente sabe como a TV Globo é uma emissora do demônio, é só você ver as novelas, as programações”, disse Robinho a um amigo. Apesar de toda a repercussão negativa, Renata Mendonça não acredita que Robinho vá sofrer maiores consequências em sua carreira de jogador de futebol e em breve encontrará outro time para atuar. Ela lembrou de casos semelhantes de outros atletas, que também foram acusados ou condenados por violência contra a mulher e depois seguiram a vida normalmente. Entre eles, os goleiros Bruno (ex-Flamengo), preso por assassinato, e Jean (ex-São Paulo), que agrediu a mulher, o atacante Dudu (ex-Palmeiras), acusado de agredir a esposa, e até Cristiano Ronaldo, que acabou tendo uma denúncia de estupro em 2009, nos Estados Unidos, retirada em 2019. “A carreira do Robinho não vai acabar, a carreira de nenhum jogador nunca acabou por uma denúncia, nem por condenação, nem por prisão em flagrante. Nem mesmo por um caso tão absurdo quanto foi o do Bruno a carreira não acaba. São crimes que às vezes não deixam nem uma mancha direito na carreira de uma pessoa. Então, infelizmente eu não acho que tem nenhum tipo de arranhão na imagem desses caras. O caso do Cristiano Ronaldo nunca foi muito bem esclarecido, e ele segue aí com todos os louros pela carreira dele no futebol”, afirmou a jornalista. “Robinho se espanta após o estupro" Diferentemente do que aconteceu no Brasil, na Europa a repercussão do caso Robinho foi pequena nas últimas semanas. A exceção é a Itália, país onde aconteceu o episódio, principalmente depois que os áudios foram divulgados. Diversos veículos de imprensa italianos falaram sobre o assunto, e o jornal La Gazzetta dello Sport publicou em sua manchete: “Robinho se espanta após o estupro: ‘Estou rindo, ela estava bêbada’. Risco de extradição”. Na Inglaterra, onde o brasileiro jogou pelo Manchester City e inclusive também foi acusado de estupro em uma boate em 2009, o jornal The Guardian escreveu: “'Falta de vergonha': escândalo de Robinho destaca crise de estupro no Brasil”. Na França, o L’Équipe também abordou o tema. Mas em geral, não houve grande destaque na mídia europeia, nas redes sociais na internet e nem entre torcedores. O repórter João Castelo Branco, da ESPN Brasil, que mora em Londres, falou da pouca repercussão do caso por lá. “O caso do Robinho aqui na Inglaterra não repercutiu tanto como eu imaginaria, até por ser um jogador que é conhecido aqui, porque ele jogou no Manchester City. Mas está sendo coberto por alguns jornais, como o The Guardian e o Daily Mail. Ele já não tinha deixado uma ótima imagem aqui com a passagem dele, porque ele não foi tão bem em campo, não durou tanto. Era um dos jogadores mais caros do futebol inglês na época, reclamou da cidade, do clima, em algumas entrevistas. E ele também tinha sido acusado em 2009 de estupro de uma jovem de 19 anos em uma boate. Como o Robinho já tinha uma imagem não muito boa aqui, na verdade pegou muito mal para o Santos, o fato de tê-lo contratado”, explicou. A jornalista brasileira Carla Destro, que mora e trabalha em Paris, também opinou sobre a situação. “Eu confesso que fiquei até chocada, impressionada, porque não vi realmente nenhuma repercussão do caso Robinho aqui, nem no Twitter, nem na redação as pessoas comentaram comigo, porque eles sabem pelo fato de eu ser brasileira, ninguém comentou a respeito. Então eu fico chocada, como um caso tão importante como esse, de um jogador internacional, de um clube que é muito grande e conhecido também, não tenha repercutido aqui na França como deveria”. O machismo no futebol e na imprensa esportiva “Eu acho que na França ainda existe muito machismo no futebol e no jornalismo esportivo, acho que muito mais do que existe no Brasil. Aqui você vê raramente, em poucos programas, uma mulher debatendo em mesa redonda ou no rádio. Quando tem mulher, ou é para apresentar ou para dar dados factuais, mulher não tem espaço para opinião. E quando tem, por exemplo ex-jogadoras, elas são frequentemente cortadas, interrompidas por homens”, completou Destro. Aproveitando o caso de Robinho para tentar combater a violência contra as mulheres e o machismo, Renata Mendonça citou um certo avanço nos últimos anos, mas deixou claro que o problema ainda está longe de ser solucionado. “Eu não acho que o machismo no futebol diminuiu, mas acho que a gente começou a falar sobre ele. Essa á a grande diferença de hoje para dez anos atrás, talvez, cinco anos atrás. O mundo do jornalismo esportivo, o mundo do futebol sempre foi, eu brinco que é orgulhosamente machista. Então é um espaço que tentou de todas as maneira restringir a presença da mulher, inclusive no caso de jogar futebol foi restrito por lei por 40 anos, de 1941 a 1979”, disse a jornalista, que acrescentou. “E se a gente vê alguma coisa de ponto positivo desse caso do Robinho é que finalmente as vozes foram ecoadas, das torcedoras, das jornalistas esportivas,. Nos programas se falou muito sobre isso, se questionou bastante o Santos, os patrocinadores e isso exerceu uma pressão crucial, primeiro para o jornalismo investigar a história, segundo para os patrocinadores, que acabaram gerando a suspensão do contrato. Então, evoluímos na conversa, mas pouco nas atitudes”, diz.

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