RFI Convida - Epidemia no Brasil deve se arrastar até inverno de 2022, diz infectologista

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O infectologista gaúcho Alexandre Schwarzbold atua na linha de frente no combate à Covid-19 no hospital da Universidade Federal de Santa Maria (RS), onde é chefe da Unidade de Pesquisa Clínica. Ele também é membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e conversou com a RFI Brasil sobre as dificuldades cotidianas diante da saturação das unidades de terapia intensiva e do impacto das novas variantes, que atingem cada vez mais jovens saudáveis. Ele acredita que, mesmo com as vacinas, a volta à vida pré-pandêmica ainda vai demorar. RFI Brasil: Os tratamentos evoluíram, mas a impressão é que em termos de mortes e número de novos casos não há diminuição. Quais são as principais dificuldades que você e sua equipe encontram hoje no combate à doença? Alexandre Schwarzbold: A principal dificuldade encontrada hoje pelas equipes que atendem os pacientes mais graves e instáveis é sobretudo o atraso com que eles chegam ao hospital, apresentando quadros mais severos de falta de oxigênio. Isso ocorre pelo uso de medicamentos que, além de não funcionar, pioram a situação, como é o caso de corticoides e imunossupressores, administrados de forma precoce demais, em pacientes que tinham o vírus em sua fase inicial. Os pacientes chegam muito tardiamente, com a ilusão de que estavam sendo tratados, e às vezes com quadros mais severos por conta da inibição da resposta imune. Essa talvez seja, hoje, a situação mais complicada, a do primeiro manejo desses pacientes. Já o número de mortes é reflexo do número de contaminações e se deve muito mais ao aumento da taxa de letalidade pelo aumento brutal do número de infecções. Muitos casos são graves e o sistema de saúde fica saturado pela dificuldade de manejo e pela quantidade que chegam ao hospital num nível muito tardio. O sistema de saúde não consegue responder a tempo. Essa é a realidade do Brasil hoje, com uma demanda de leitos de UTI maior do que a oferta. Se esses 10 ou 15% dos casos que se agravam chegassem em condições um pouco melhores, facilitaria o manejo respiratório associado a outras eventuais estratégias terapêuticas, para controlar o processo inflamatório e o agravamento do quadro. RFI Brasil: Um lockdown geral poderia ajudar a melhorar a situação em nível local ou nacional? AS: Temos uma série de países que mostraram que isso funciona. Algumas medidas não-farmacológicas, além dessa, parecem não ter tanto impacto no controle da transmissão. Mas não há dúvida que ela é eficaz em situações de maior agravamento. Isso acontece no Brasil neste momento. As taxas de incidência são muito altas, muito acima das europeias. Temos cidades brasileiras com até 10.000 casos por 100 mil habitantes, com RTs, taxas de transmissão, muito acima de 1 ou 1,5. Isso mostra a alta velocidade da transmissão. RFI Brasil: Na sua opinião, como as variantes impactaram a evolução da epidemia no Brasil ? No dia a dia, você constata esse rejuvenescimento dos pacientes em UTis por conta das novas cepas? AS: Muito embora o Brasil ainda tenha dificuldade em fazer uma avaliação, não há dúvida de que já existe essa conclusão, nos locais onde foi feito um levantamento epidemiológico, de epidemiologia molecular, para identificação dessas diferentes variantes. A variante P.1 é típica do Brasil. É uma cepa diferente. Embora haja semelhanças genéticas, ela tem pontos de mutação no vírus diferentes da sul-africana, que também é muito complicada, ou a do Reino Unido. Essa variante brasileira já circula em todo o país. Há hospitais onde 60 a 70% das cepas são atribuídas à P.1. Essas cepas são resultado da adaptação do vírus. Trabalho em uma UTI onde vemos pacientes de 20 anos, que não tinham nenhuma comorbidade, nenhum fator predisponente para se agravar. É muito provável que esses pacientes estejam associados a esses vírus mutantes. Isso também é um grande problema num país que demora muito a ampliar sua vacinação. Quando ela é muito lenta, permite que o vírus se adapte a novos hospedeiros, de uma forma mais virulenta. Essas cepas, e isso já tem uma identificação clara com a cepa do Reino Unido, provocam um aumento da carga viral nas pessoas, aumentando a taxa de transmissão. Isso permite que o vírus continue sendo transmitido de maneira mais efetiva, mas também aumenta a ligação ao tecido humano, produzindo mais doença. RFI Brasil: Com as vacinas, você acredita em um controle da epidemia no país até o final do ano? AS: Acho que a vacina é sem dúvida a melhor estratégia, como em qualquer epidemia viral, sobretudo de vírus respiratórios. Só assim pode ser feita uma contenção efetiva, até chegar aos níveis da chamada imunidade de rebanho, que é a impossibilidade do vírus continuar achando hospedeiros para se perpetuar. Aí nós passamos a ter a sazonalidade desse vírus ou até ter, em algumas situações, a gente não sabe, o desaparecimento de todas essas cepas. Acho que no Brasil nós vamos atingir, possivelmente, uma cobertura vacinal de mais de 60% ou 70%, que é o mínimo que se exigiria para a gente poder imaginar um impacto epidêmico, até o final do ano. A expectativa é que até a metade do ano que vem a gente consiga aumentar a importação e a produção local das duas principais vacinas sendo aplicadas agora. Até o inverno de 2022 acho improvável que possamos ter uma queda da circulação que possibilite uma vida pré-pandêmica. Mas haverá redução do impacto e da velocidade de transmissão, do número de casos ocupando leitos de UTI, com a obtenção de taxas de transmissão abaixo de 0,7, por exemplo. Isso permitirá à sociedade manter algumas atividades.

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