RFI Convida - “Lula entra forte na disputa eleitoral após decisão do STF; desgoverno pode tirar Bolsonaro do jogo”, diz cientista político

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O advogado e cientista político Melillo Dinis, do portal Inteligência Política, diz que caminho para terceira via é estreito, mas possível com muito diálogo entre centro-direita e centro-esquerda. E ressalta que posturas no combate à pandemia serão cobradas na corrida às urnas. Dinis comenta à RFI a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a decisão do ministro Edson Fachin de anular as condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Curitiba. Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília “Você teve aí 8 a 3 no Supremo Tribunal Federal, anulando as condenações de Lula proferidas em Curitiba. É um grande indicativo de que o STF vai se manter nessa toada, nesse rumo nos julgamentos ainda em pauta sobre o tema. E isso traz ao mundo da política a presença de Luiz Inácio Lula da Silva como personagem que vai provavelmente disputar as eleições de 2022", afirmou Melillo Dinis ao comentar o julgamento da quinta-feira (15), em que o plenário do Supremo confirmou entendimento do ministro Edson Fachin de que a décima-terceira vara de Curitiba não era o foro para julgar o ex-presidente. "Mesmo que os processos de Lula sejam retomados pela Justiça Federal do Distrito Federal ou de outras regiões, nesse debate que ainda deve ocorrer na semana que vem, é quase impossível que ele seja alcançado por algum tipo de inelegibilidade. Portanto, Lula voltou e, como muita gente tem discutido, voltou forte”, completou o analista. "Nenhum político estará imune ao vírus" Dinis aponta certo desconforto ao ver o debate eleitoral ganhar corpo em meio à crise sanitária gravíssima que assola o país, mas diz que é difícil fugir do cenário de articulações e especulações com a decisão do STF. “É até uma imoralidade antecipar o debate eleitoral antes de resolver essa tragédia chamada pandemia e esse número insuportável de mortes, mas parece que a gente não vai conseguir evitar esse debate já em 2021. Não dá para prever qualquer tipo de coisa diante, repito, da tragédia brasileira que estamos atravessando e que pode ter profundas consequências eleitorais. Nenhum político estará imune ao vírus”, afirma. Risco para Bolsonaro Com Lula ficha limpa, “é possível que você tenha um cenário com três grandes candidaturas. Uma candidatura de reeleição, que é a do próprio Jair Bolsonaro. Uma candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. E a tentativa de um caminho do meio, que não está claro, mas é provável que daqui até o final do ano se consolide uma tendência", avalia. "Virou uma janela estreita, mas é possível que você tenha esses três grupos concorrendo com os três nomes e os personagens. E aí, pasmem, ainda sem discutir um projeto para o Brasil”. Apesar da polarização reforçada agora entre Bolsonaro e Lula, o cientista político não descarta a possibilidade do atual presidente acumular novos desgastes e ficar fora do segundo turno. “Não tenho dúvida de que, a depender do desgaste, a depender da tragédia e a depender da forma como isso vai ser discutido pelos demais participantes do processo político, tudo isso pode retirar Bolsonaro do jogo", analisa Dinis. "Ele tem uma base de adeptos ainda muito fortalecida, algo em torno de 12, 15%. Vai precisar aí de 20 e poucos por cento para chegar ao segundo turno. Ele perdeu o discurso liberalizante. Como a gente tem visto, é um intervencionista na economia. Parte das elites vai se afastar de Bolsonaro por causa disso. Ele perdeu o discurso anticorrupção, porque não só brigou com Sergio Moro, mas também tem uma série de problemas que envolvem o seu nome e de sua família. E para complicar, ele não tem conseguido fazer nada de concreto. É um desgoverno na área da pandemia”, diz. Terceira via? O desafio de construir um nome alternativo a Bolsonaro e Lula não é tarefa fácil e exigirá muita discussão política, avaliou Dinis. Porém ele acredita que, mesmo tendo alguns presidenciáveis que devem sair do xadrez eleitoral, porque não haverá espaço para todos, a construção política de uma aliança mais ampla está aberta. “Não tenho dúvida. Na nossa experiência histórica isso já aconteceu algumas vezes. Claro que o pessoal vai ter que tomar aí muito remédio para digestão para colocar todo mundo num bloco único e partir para a disputa eleitoral", afirma. "Mas não tem nenhum problema do ponto de vista eleitoral, até porque eleição e ideologia no Brasil são coisas que andam separadas. Eu sempre defendi que política se faz com projeto, com propostas, com diálogo com a população. Acontece que sou minoritário no Brasil porque todo mundo prefere muito mais discutir os nomes. E é possível sim que a terceira via se articule aí num blocão que vai também tentar disputar as eleições”, aposta o cientista político. Já uma chapa de partidos de esquerda, tendo Lula como vice, é algo mais difícil de imaginar, aponta o analista: “Eu acho improvável, mas a política brasileira não se cansa de nos espantar.”

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