Arnaldo Jabor ציבורי
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Enquanto muitos presidentes do mundo ocidental estão assustados com vitória de Bolsonaro, Trump já ligou para ele para parabenizá-lo. O que está na cabeça deles dois seria um mundo sem a complexidade atual, mas paralisado e menos intenso. "Brasileiros, feliz ano velho”.
 
Não um tempo de mudança política e ideológica apenas, mas uma mutação histórica. A vitória da direita é um enigma. Resta saber como o novo governo vai lidar com o desejo vivo de uma população que pensa em vingança, violência e mudanças nas regras tradicionais da democracia.
 
Eles buscavam um salvador da pátria. E encontraram. O problema é que ele é uma porta aberta para a revivência dos militares na vida política. Vai caber a eles uma grande responsabilidade sobre o país. Dar poder político a quem controla as armas é um passo delicado. É preciso estimular o bom senso dos chefes militares.…
 
As históricas não dependem necessariamente do desejo dos atores políticos. Muitas vezes, elas vêm por um acúmulo de fatos e informações que parecem vir sozinhos. Exemplos disso foram a ditadura militar e a redemocratização. Talvez estejamos vivendo uma mudança histórica nos dias de hoje.
 
Depois disso, será difícil a regeneração. A população vota contra o estado das coisas, mas nunca a favor de nada. Era de se imaginar que ao longo dos anos democráticos haveria maturidade maior entre eleitores e militantes, mas existe uma mutação histórica em curso.
 
Série “A Segunda Guerra Mundial a cores” mostra como um homem louco como Hitler conseguiu em cinco anos matar 50 milhões de pessoas, destruindo até o próprio país. Fascismo não é uma nuvem abstrata que nos contamina. Ele está dentro do corpo.
 
Autoridades estão usando termos mais leves para episódios graves. Dias Toffoli, por exemplo, mudou o sentido ao dizer que o golpe de 1964 não foi um golpe ou uma revolução, mas simplesmente um movimento. A situação está tão perigosa que pode levar nossas situações à deriva, boiando num mar de loucura.…
 
Eleições deste ano foram diferentes das velhas disputas políticas, em que os candidatos, bem ou mal, tinham programas claros. Redes sociais hoje decidem mais que informações checadas. Isso cria um universo paralelo de eleitores fantasmas. Como saber se é realidade ou delírio?
 
Tudo que esperávamos não rolou. Isso gera também decepção. A desconsideração com a política nos leva à busca ao sedentarismo e alimenta a ideia de vingança. Por isso, vota-se com rancor. E há também o medo. Chegamos ao desinteresse e ao cinismo.
 
Falamos do Brasil como se ele fosse uma realidade com vontade própria e esquecemos que a nossa responsabilidade e vontade moldaram a zorra que está diante de nós. A reforma da Previdência poderia ter acontecido, mas ficamos reduzidos a somente atacar o Temer, como se ele fosse o demônio da pátria.
 
Trump, por exemplo, protagonizou uma série de denúncias de abuso sexual. O careta reacionário parte para alguma forma de perversão sempre, porque não consegue respeitar o outro parceiro. Porque o outro é sempre visto como desprezível objeto de uso.
 
Lembram-se do bispo, ou pastor ou recolhedor de dízimos que chutou a imagem de Nossa Senhora no ar? Ele foi banido da igreja dele. Agora, os evangélicos estão atacando, sem trégua, o candomblé, principalmente na Bahia. Invadiram terreiros e até criaram uma milícia chamada Gladiadores do Altar.
 
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